domingo, 15 de junho de 2014

Não, não é "só futebol"

Texto original
English translation
Não, não é "só futebol". É "O Futebol". Pergunte a qualquer deportista, de qualquer modalidade, se sua modalidade é "só um esporte".
Ou tu achas que eu não me lembro perfeitamente daquele dia que reunimos toda a gurizada da rua, numa chuvarada do cão, e fomos jogar contra "os da rua de cima" e eu fechei o gol? Que aquele foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida?
Achas que não lembro perfeitamente o dia que entrei sozinho no ônibus para fazer teste lá no campo do Cruzeirinho?
Tudo isso ainda piá.
Ou o dia que peguei um pênalti no último minuto, garantindo o empate? Ou de todos os pênaltis que defendi?

Da mesma forma, crês que não lembro da cabeçada salvadora do Dunga? De Taffarel pegando pênalti em 94?
Não acreditas que, mesmo perdendo, jamais esquecerei do dia que peguei vôo bate-volta para Buenos Aires para ver o Inter enfrentar o Boca, mesmo tendo prova de mecânica clássica da pós-graduação no dia seguinte? Tendo tempo só de tomar um banho entre a chegada e ir pra ufrgs.
A emoção de ir a todos os jogos da Libertadores 2006 no Gigante com meus amigos. Sentir aquela ansiedade crescendo a cada jogo, o sentimento surgindo aos poucos de que "vai dar, che! Nós vamos ganhar essa merda!".
Adiar estágio doutoral na Argentina pra não perder a final no Beira. O carrossel de emoções da final? Abrindo vantagem e eles empatando uma e outra vez. O choro de emoção quando o Fernandão recuperou aquele rebote e meteu na cabeça do Tinga? O pânico da pressão nos minutos finais e a explosão de alegria da Nação Vermelho e Branco no apito final. O choro descontrolado, ajoelhado no cimento da minha segunda casa e enrolado na bandeira do meu Clube; trocando abraços e choros com todos ao redor, conhecidos ou não.
Agradecer mas recusar a oferta de ir assistir o Mundial de Clubes no Japão por querer estar junto dos amigos assistindo. E não me arrepender.
Não dormir na noite anterior, ligar pro teu melhor amigo e ele também estar acordado pelo mesmo motivo. Ir prum pagode pra ver se o tempo passava mais rápido e ver muita gente lá exatamente na mesma situação.
Enfrentar o Barcelona. Ganhar do Barcelona. Deixar o Puyol Até hoje procurando o Iarley. Aposentar o Ronaldinho. Olhar o gol, olhar o gol, olhar o gol. Ser Campeão do Mundo em cima do melhor time da época. Chorar. Chorar. Chorar. Abrir um sorriso tão grande que até pra mim -- apelidado de "bocão" quando piá -- foi surpreendente.
Largar tudo e ir receber a delegação no estádio e ver ídolos vibrando como criança, cantando junto com a torcida, se mostrando tão torcedores e emocionados como nós.

Tudo isso e muito, muito mais. Alegrias, tristezas. Emoções. Sentimentos. Vida.
Na lista de dias mais felizes da minha, vários são com o futebol. Vários.

Então, meu amigo, não. Não é "só futebol". É O Futebol. É a minha vida. E nela, Fernando Lúcio da Costa, o Fernandão, foi um importante protagonista. Muito obrigado, Capitão!

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